sábado, 20 de março de 2021

Alado rosto

Eis a estrada o rio a noite a aurora o  vértice negro

a corola de sangue e madrugada  ... caminhamos

a mais de dois milhões de anos ... sou eu próprio

o mar e o navio  na fome no lume  que me devora

sobre os membros sobre os ombros sangrentos

abrem - se os nossos dois rostos na única cabeça

o alado rosto emerge simétrico do outro feroz

atravesso lado a lado montanhas planícies

 insaciável viajo no lume que me devora

amantes uma flor não longe o meu corpo mudo

abre - se a delicada urgência do orvalho o

esquecimento no outro lado da noite è possível

leva - me entre as doces substâncias ...


 

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