domingo, 21 de março de 2021

Amor e Poesia

 Poema  dedicado a Ana Pereira ... em Preto no Branco

As Vozes do Silêncio Poetry Floweres

as Palavras que Doem em Silêncio


                                                 

Amar - te è construir - te aéreas raìzes

instrumentos  da liberdade

incandescentes remorsos remos

que movem no cais o pensamento

e buscar o que somos o que seremos


boca nas trevas hélice no vento

verde para o mar de tormentos

em que nascemos submersos

de raiva canais qqwue sabemos ignorar ...

Poemas dedicados em preto no branco as vozes do silêncio ... especial a Ana Pereira


 NO SILÊNCIO PULSAM O RESPIRO

poderia - se então olhar tranquilamente

para quem não tem pudor em lhe contar


o olhar trocado a palavra que volta

a reacender e a reencaminhar onde

em suma mergulha  no papel


incipiente atónito compungido ...

Estar sem estar

Assim estou sem estar mesmo no poema

sò suspiro clamo ou grito

como uma árvore escarnecida

que projecta no espaço

a suplicante nudez de braços

ressequidos


mas traça tambèm

o percurso da ave migratória

que a primavera trará em obediência

a esse círculo vital solar volúpia grávida

de um futuro comum de liberdade ...

 

O MAR A - MAR

Todas as casas deveriam ter uma varanda

virada o para o mar

para que as manhãs acordassem

no volume inquieto da claridade

as sombras fundeassem frescas 

pelas paredes  opaca do meio

dia e o entardecer rebentasse 

sotavento num quarto ...
 

Todas as casa


 Todas as casas deveriam ter uma varanda

virada para o mar uma janela um parapeito

um olhar ... Quão difícil se torna desejar a lua

de uma noite sem sentido sobre o sol ...


sem luz da alma  cativa

que encerra  no silêncio

cativo do teu fogo cintilante ...


Não sei de outro Pais

Não sei  de o outro País

Ò meu amor feliz ou infeliz


Porque me escondes

a minha própria imagem


os passos de Outono respiram

nas tonalidades das gaivotas


e nos contornos lisos da manhã

componho os gestos do meu olhar

nos teus olhos ergue - se a maresia
 

Os meus olhos


 Fecho os olhos è o meu corpo

que està entre as ervas ...


aqui somente a sede ardente

e a fonte para mata - la 


aqui cèu horizonte e fogo

a fuga a sìta viagem


não conheço não seio de outro

amor ...

Floresta


 Gozo  os campos sem reparar para eles

pergunta - me porquê e eu respondo

gozar a floresta è estar inconsciente

ao pè dela e ter uma noção do seu perfume

 nas nossas  mais apagadas


quando reparo não gozo não gozo

è o meu corpo que està entre as ervas


aqui somente a sede ardente e a fonte 

para matà - la  ...

ESCRITA


 Já là estava  tudo quando peguei

nisso foi a mim que muito  me

escapou


e sò em ti o secreto tesouro

o musgo e o âmago ... 

O POEMA


Há  sò tu ès tu que escreves

sò tu me deixas o que guardo

no meu  no esconderijo do meu

ouvido 


há sò tu que escreves

e jà não canto deixei

de escrever

já là estava tudo

quando deixei de escrever ...


Inconformismo


 Passar e deixar  um rastro

sem estudada intenção

mas impor o esforço de continua - lo


ou sumariamente apàga - lo  com ou sem

intenção ...


há sò tu já não canto 

è tão bonito ficares a olhar

para tua esperança ...

Iniciar de Asas

Interrompo  com um gesto oblíquo

à imobilidade o desaguar do dia numa

qualquer praia de estrelas


Há um iniciar de asas

que se demora pelos risos

dos girassòis 


e um entardecer em movimentos

suspensos


na planície sobrevoada

de um beijo

 

Mar


 Outro  mar chegava do ângulo  sul das paisagens

dos indivisíveis amendoado pela palidez da lua

Ocupação inquieta de incredulidade pelas margens descalças do movimento invisível desnecessário ?

das estrelas nos meus lábios


o mar chegava na trajectória habitual dos girassòis

pelo poente e deixava sempre uma indicação de desejo  vulnerabilidade nos meus olhos


silhueta desígnio  tangível de mim mesmo ...

sábado, 20 de março de 2021

INICIAR

Iniciar de asas interrompo com um gesto

oblíquo à imobilidade o desaguar  do dia

numa qualquer praia de estrelas


há um iniciar de  asas

que se demora  pelos risos

dos girassìs 


e um entardecer em movimento

suspenso

na planície sobrevoava de  um

beijo ...
 

A TUA ESPERA

A  tua espera desteço a luminosidade da água

e lanço âncoras na espuma dispo o vento

de impetos  e de nòs e inauguro o tempo da

surdina desbravo o chão de raìzes de saudades

e invento flores silvestres na cor dos poemas

desprendo todos os fósforos de lua e mergulho

as noites em lentos entardeceres ... a tua espera sonho e canto ...

AMOR E TERNURA

Leva - me  entre substâncias que morrem

cada dia na tua imagem  na tua memória

situado na lua amor  e fome no vento que

amue situado no luar sempre aceso antes

de apagar num surdo ouvido rasgado

tecidos à sorte aliviando as dores de um

corte quando o ódio virtual numa manhã

ancestral respirando com medo de respirar

num surdo ouvido de escutar ouvindo sem

sentir partindo sem partir de longe em longe

com lembranças ... casas e casas de andanças

mares de sonhos e esperança ...

 AMOR E TERNURA ... assinado por uma

criança
 

Alado rosto

Eis a estrada o rio a noite a aurora o  vértice negro

a corola de sangue e madrugada  ... caminhamos

a mais de dois milhões de anos ... sou eu próprio

o mar e o navio  na fome no lume  que me devora

sobre os membros sobre os ombros sangrentos

abrem - se os nossos dois rostos na única cabeça

o alado rosto emerge simétrico do outro feroz

atravesso lado a lado montanhas planícies

 insaciável viajo no lume que me devora

amantes uma flor não longe o meu corpo mudo

abre - se a delicada urgência do orvalho o

esquecimento no outro lado da noite è possível

leva - me entre as doces substâncias ...


 

Dádiva

Se è somente no teu rosto que verei

nascer um dia a madrugada porque

será que nunca te direi as palavras

que guardo precisamente para ti ...

sou capaz de falar - te do tempo das aves

de qualquer coisa inútil de tudo menos de

amor e nada te peço e nada te ofereço senão

este amor neste coração iluminado no mar ...

da - me água dia após dia desapareces e apareces

morres e aqueces fria e quente lábios sem boca

sem boca sem ver coisa pouca antes receber tiras

com milho forma de pão olhos no brilho quente

coração perigosa e agressiva fonte  de mulher

estrondosa e possesiva garfo e colher de uma verdadeira

diva ...
 

O AMOR


 Ainda nos resta o nosso  amor

fito - te querida e a voz com  que

 me chamas obscura e terrível


abre - se como um abismo

onde me despenho exasperado

de mim mesmo sedento

contigo nos braços atravesso paredes

cerradas de ódio o muro ácido das trevas

e fundos nos teus flancos cravo rubros 

esporões da madrugada ... sim meu amor

mesmo vergados floridos de tormentos e de espanto

sob este amargo inverno de destroços somos os passos

e as vozes da nossa jornada ...

Làgrimas

O  que è feito de tudo o que nos foi querido

os que amamos para  onde foram onde eles

estão eles ... não choremos agora em vão

seria ... sob tanta dor em nòs busquemos

a sua face perdida sòs neste pavor deste

mar de chamas no caos no asco na 

maldição apocalíptica a nossa  espantosa

e fecunda serenidade ... ah ... ainda nos

resta o nosso amor ...
 

O teu rosto


 Não  vejo  o teu rosto  mas encontro - te

nas estrelas ... não penetro no teu olhar

mas sinto a ternura no teu  olhar

sinto  o teu toque e percebo o teu ser ...

Sonhos


 O silêncio  suspenso

dos  sonhos

desfaz a matiza


a promessa de um beijo

poema e gritar ...

Simples


 Acorde  simples


da madrugada  insone

da cortina que amanhece

dos olhos que jazem no espelho


acorde simples de um poema

das mãos que pedem cerejas

e afagos


recusam escrever ...

Cartas

se eu soubesse  dar as palavras

um rumo lento e rasos  dos teus

dedos


sagrar o ritmo das inconfidências

no crepúsculo de um poema 
 

e silenciar  as esperas na última

pausa de um beijo


deixar- te  - ia esta carta

num recado da tua pele ...

Escrever - me muitas vezes


 Escreve - me muitas vezes como os  percursos

ininterruptos das  formigas  o ritmo dos girassòis

devolvidos a condição de flor e o reflexo das nuvens

no lado interior dos rios guardados na minha  mão


escreve - me tantas vezes quanto os nocturnos

quase vazios entre as estrelas os quebrantes

de mar os pès prateados da lua e as intuições

anunciadas na respiração dos dedos dos amantes


nunca deixes de me escrever como se o tempo

das palavras fossem o de regressos confirmado

na existência e docilidade das pedras nunca deixes

de me sentir ...

Por onde começar


 Por onde começar quando  a cor

do poema è um rumor de sal

que se agarra aos meus dedos


quando  o fio da lua è um fio

de  maresia que erra explora

se  espanta e se desfaz na claridade

marítima  do seio que me rodeia


quando o perfume da magnólia

è um possível  cumplicie do vento

que abriga os meus olhos numa

làgrima de ternura ... por onde

começar ...

Olhar

Quando o meu olhar se suspende

nos sonhos e senta - se numa

nuvem


abre - se  um golpe de asas

no azul e acontece o teu

sorriso ...
 

Princípio da inexistência

Escurecia anoitecia ou simplesmente

          o mundo deixava de respirar


        a floresta  nua de contornos

       adivinhava - se  nos abismos

planos de sombras e a bruma que dançava

entorpecia - lhe os gestos de olhar não havia

vento não havia o ritmo não havia o mar e os

corpos em queda traziam almas penduradas

como folhas de Setembro que desprendem os dedos ...

 

sexta-feira, 19 de março de 2021

Para te encontrar


 Para encontrar o  azul eu sou um pássaro

a aprender a amar e a entrelaçar  o ninho

eu uso as nuvens


e quando as  nuvens se desfazem na lenta

embriagues dos rios  eu uso o sol



e quando o sol acaba de tecer a noite

no regaço do horizonte eu uso  a maresia

A tua espera

A  TUA ESPERA   desteço a luminosidade da água

e lanço âncoras na espuma dispo o vento de ímpetos

e de nòs inauguro o tempo da surdina  desbravo o chão


de raìzes  de saudades e invento  flores silvestres na cor

dos poemas  ... desprendo todos os fósforos a lua e 

mergulho as noites em lentos entardeceres

à tua espera sonho e canto ...


 

Outro Mar

Outro  Mar

             chegava sempre  do  ângulo sul

             das paisagens indivisíveis amendoado

           pela palidez da lua

ocupação  inquieta da incredibilidade

pelas margens descalças do movimento

invisíveis  desnecessário ... das estrelas 

aos meus lábios ... o mar chegava na trajectória

habitual dos girassòis  pelo poente è deixava

vulnerabilidade nos meus olhos ... silhueta

desígnio tangível de mim mesmo ...  
 

Falèsia

A falésia è  uma escada  para o mar

onde a morte dos dias  demora

e as noites  acontecem como presságios

è o outro horizonte onde os barcos

se  perdem em ausências e os filamentos

das  anémonas e os corais  se agarram

para que o tempo não caia em desuso

è um mesmo silêncio que o mar tambèm

sente uma mulher que vai pela praia

em lentos passos de pedra e olhar

náufrago na maresia


A falèsia è uma reflexão do mar ...

 
 

Um vento do mar


 Chegou um vento do mar e a  melancolia 

dança pelos pedaços da cortina  onde

quase anjos prendem os vèus do tempo


vem  um vento do mar e a solidão interrompe

se nos poros  da madeira enegrecida e nos trilhos

que espreitam nas janelas das águas vem um vento

do mar ... 

De Sùbito


 De  sùbito  o mundo fez -se  mundo

sem palavras pelo meio sò eu e o

 ritmo inquieto da maresia

       eu coral eu estrela

do mar  eu rastro errante dos risos

das baleias


eu afecto manso ao espaço

e ao tempo esquivo das gaivotas


eu praia imensa resgatada ao espaço 

e ao tempo ... eu estilhaço de vento

eu mar de sùbito a fragilidade de ser

falèsia ...


Não sei o que vejo


 Fragilidade de ser  e de  sùbito a existência

da falésia explodiu num grito mudo debaixo

dos meus pès ...

de súbito reencontrei o mundo na vertigem

dos sentidos o granito  em lentos devaneios

a um passo do vazio o mar quase intocável

a palmo do meu rosto e o horizonte tão leve

tão irreal no delírio ensombrado dos meus

dedos ... dizem que estás descalça que trazes

os pès  rentes a maresia e que não te vestes

de negro dizem que te vestes  de mar e ao

fundo  não sei o que vejo ...

Ao fundo não sei o que vejo


 Sobe a luz do mar


 ao fundo não sei o que vejo dizem que è o mar

nos olhos  dela ou nas mãos ásperas  de rasgar

a morte todas as madrugadas em que a praia è

uma ausência dizem que as velas è que são 

importantes que são as raìzes do vento e dos

 regressos e que as velas não são 

necessariamente brancas porque os mastros

são feitos  de musgo dos dias e os gritos das

noites  ...

Nascemos Submersos


 Nascemos  submersos de raiva  e de  tormentos

enervados canais do que sabemos e ignoras caule

na  floresta mineral rubro do que nos resta semear

no cosmo a aventura terrestre o nosso império na noite o dia em nòs amor  a morte a agonia ou o esplendor da nossa criatura na cápsula da viagem do que nos foi a semente viva que foi chuva no vento mar do que constrói no fogo a sua face o seu destino ò pobre semi - deus altivo ...

quinta-feira, 18 de março de 2021

Amar - te


Amor e Poesia  as Vozes do Silêncio

                      a  Ana  Pereira


Amar ~te è construir - te aéreas raìzes

instrumentos da liberdade incandescentes

remorsos   remos incandescentes com que

 mover  no caos o  pensamento e buscar

o que somos e seremos boca nas trevas

 hélice no vento  verde proa no mar de

tormentos em que nascemos submersos

de raiva e de  tormentos enervados canais

 do que saberemos e ignoras caule na floresta

mineral ...

Assim estou

Assim estou sem estar mesmo no poema

sò suspiro clamo ou grito como uma árvore

escarnecida que projecta no espaço suplicante

nudez de braços ressequidos mas traça tambèm

o percurso da ave migratória que a primavera

 trará em obediência a esse círculo vital  de solar

velùpia ...

 

Viagem

Não conheço não sei de um outro amor

não sei de um outro país


ò  meu  amor feliz ou infeliz

por que me escondes a minha

própria imagem


os passos do outono respiram

na tonalidade das gaivotas

e nos contornos lisos da manhã

componho e descomponho os

 gestos do meu olhar nos teus

olhos erguem - se a maresia ...
 

Fecho os olhos

 Quando  reparo não gozo

fecho os olhos è o meu

corpo que està entre as

ervas aqui somente a

sede ardente e a fonte

para matà - la


aqui céu e horizonte

e o fogo e a fuga ...
 

Gozo os Campos

Gozo os campos sem reparar para eles

pergunta - me  por que os gozo

respondo gozar uma floresta è estar

inconsciente ao pè dela e ter uma

noção do seu perfume nas nossas

ideias mais apagadas ...
 

Sò tu me deixas o que guardo ...

Ès tu que escreves sò tu me deixas

o que guardo no esconderijo do

meu ouvido


há sò tu que escreves

já não canto deixei

de escrever já là estava

tudo quando peguei nisso


foi a mim que muito me escapou sò 

em ti o secreto tesouro o musgo

e o âmago ...

 

Há sò tu


 Há sò tu já não canto

è um encanto

ouvir um passarinho

digo

è tão bonito ficares

a olhar

para tua esperança ...

Conformismo

Conformismo


      a Ana   Pereira

                    Preto no branco  as vozes do silêncio

                    Poetry Flowers as palavras que doem

                    em silêncio


Passar deixar um rastro sem estudada intenção

mas impor o esforço de continuà - lo ou  

sumariamente apàga - lo com ou sem intenção ...
 

Os meus olhos


 Mas tu bem sabes à noite è enorme

e todo o meu corpo cresceu eu saí 

da moldura dei as aves os meus olhos

a beber não me esqueci de nada mãe


guardo a tua voz dentro de mim

e deixo - te as rosas


Boa noite !

   eu vou com as aves ...

Rosas Brancas


 Ainda aperto contra o coração

rosas tão brancas como as que

tens na moldura ...


ainda  oiço a tua voz

era uma vez

um princesa no meio

do laranjal ...

Mãe

Se soubesses como ainda amo as rosas

talvez não enchesses as horas de pesadelos


mas tu esqueceste muita coisa esqueceste

que as minhas pernas cresceram que todo

  o meu corpo  cresceu e atè o meu coração

ficou enorme , mãe ...
 

Amor e Poesia

 Poema  dedicado a Ana Pereira ... em Preto no Branco As Vozes do Silêncio Poetry Floweres as Palavras que Doem em Silêncio                 ...